Café com bolacha


06/01/2010


Previsões para amanhã

O tempo está propício para gandes mudanças na vida pessoal em qualquer tempo.

Pode ser qua faça sol, mas também pode ser que faça chuva.

Época suscetível à uma análise interior, à revisão de conceitos e à superação de preconceitos.

Melhor hora para adquirir bens materiais, peça um aumento, mude de emprego ou de profissão.

Sua espiritualidade estará mais aguçada do que nunca, aproveite pra aprender algo de realmente bom.

O amor sempre parece distante ou insuficiente, então, ame-se primeiro e nunca sentirá falta dele.

Saia do sofá, desligue a TV no horário nobre e seja você mesmo a mudança que quer ver nos outros.

É tempo de separar o lixo, de não comprar madeira ilegal, de economizar água, energia e diminuir o consumo.

Pra quem não tem consciência ambiental ainda, lembre-se, nós preparamos o nosso próprio lugar no mundo.

Segue teu caminho e não te importes com que os outros digam, mas leve em consideração a lei da ação e reação.

Mas cuidado! Nunca ande sem olhar pros lados ou menosprezando o que ficou pra trás.

Ou então, vc correrá um grande risco de repetir os seus erros, de não enxergar as verdadeiras oportunidades na vida e de dar de cara com o muro.

Pra quem tem a saúde mais frágil, leve sempre um guarda-chuva ao sair de casa no verão,um casaco no outono, pois o tempo é traiçoeiro, um trocado no bolso durante o inverno pro café ou pra cachaça e na primavera, saia por aí de bolsos e mãos vazias, só pra relaxar de vez em quando.

Mas pra ser realmente feliz, não se esqueça, não importe o que você faça ou pense, você sempre terá a chance de fazer novamente.

Agora, dicas mais importantes: use o cinto de segurança, não se exponha demais ao Sol, use sempre tennis com amortecedor, coma  ou fume vegetais todos os dias, evite a coca-cola, durma as sagradas 8h pelo menos nos finais de semanas, se informe sobre História e Física Quântica e pratique exercícios físicos, psíquicos, emocionais ou espirituais regularmente.

 

 

 

 

 

Escrito por Asinim às 06h03
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

20/12/2009


A vida é uma grande escola e eu vivo louca pra entrar de férias.

Escrito por Asinim às 01h20
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

02/12/2009


Os astros guiam enquanto eu ria

Júpter na 25ª casa de capricórnio estigmatizando o seu chifre caído.

Marte em pleno dilúvio transbordando a casa de aquário, fazendo os peixes caírem no carpente, pisoteados pelos transeuntes.

Plutão, que foi rebaixado de planeta, se escondeu de vergonha na 8ª casa de áries, bem debaixo da cama.

Sol ardente de Aldebaran, segurando o touro pelos chifres e jogando ele amarrado dentro da 72ª casa do seu inferno astral.

Lua incandescente botando tudo pra quebrar na 12ª casa dos gêmos que ficaram loucos quando seu vaso chinês se espatifou no chão. 

Marte radiativo entrando na metastase da 100ª casa de câncer que se expôs demais ao sol e se encontra em fase terminal.

Antares sacana aproveitando que o leão dorme pra entrar na 7ª casa e cortar a sua juba.

Mercúrio ardente penetrando na 69ª casa pra sodomizar a virgem em noites ininterruptas de orgias carnavalescas.

Elefantes brancos da Sibéria intergaláctea pulando na 1ª casa e quebrando a balança de libra.

Netuno misterioso, azul e astucioso, de fininho, adentra a 13ª casa, arranca o rabo do escorpião e se mata com o veneno.

Os falsos anéis de Saturno foram roubados por sagitário e se encontram dentro da chaminé da 18ª casa do astrólogo míope.

Agora todos os astros vão entrar de recesso, parar como o deboche, enquanto eu, tripudio pelas incontáveis mansões do zodíaco com o meu tridente influenciando a mente leviana de quem me lê.

Escrito por Asinim às 23h24
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

24/11/2009


Receber uma poesia de presente, faz você se sentir a pessoa mais especial do mundo lendo sobre você mesmo.

         Quem é ela?
 
         Uma linda mulher
         Que usa Garnier,
         Adora café,
         Enrola o cabelo e,
         Escuta o Baleiro.
 
         Assim a vejo!
         Comendo granola e pão com queijo,
         Assistindo o garoto de aço,
         deitada na cama enrolando os cachos. 

       

        Transcender é o seu ideal,
        Descrevendo o que parece anormal
        Da história medieval,
        sabe qual é o seu verdadeiro final.
 
         Na sua pele Calvin Klein,
         passeando por qualquer lugar,
         Sem muita peleja,
         cultua sua beleza.
 
         Ana Carolina, Marisa Monte e Teatro Mágico, 
         detesta o fútil e se aparta do trágico,
         ouve o que lhe parece fantástico.
 
         Aprecia Zanotto,
         Namora um broto,
         de blusa vermelha com seu violão,
         tocando os trechos de uma canção.
 
         Na leitura Freud, Platão, Aristóteles e até D. João,
         com tamanha estranheza, nela não se vê certeza,
         a hipócrita religião.   
 
        Tão linda e sensual,
        curte praia, primavera, acampar, ciências, amigos,cerveja, cachoeira e
        história ocidental. 
            
        Defensora dos animais
        vislumbra a natureza,
        sabe bem o que lhe satisfaz.
    
        Não dispensa um bom papo,
        com Natália ou Priscila,
        viajando... nada lhe grila.
 
        Bondosa, carinhosa e as vezes moleca,
        temendo barata, louva-deus e até perereca.
        

        Uma linda mulher que amo tanto,
        que quero muito 
        com alegria ou com pranto. 

                                                   (M.S.P.)

Escrito por Asinim às 22h10
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

20/11/2009


As coisas que você nunca vai saber*

Você nunca vai saber que eu entrei naquele banheiro da boate de propósito,

que eu me fingi de bêbada e te abracei jurando amizade eterna com segundas intenções,

Você nunca vai saber que, bem no fundo, eu nunca fui tua amiga de verdade, pois eu me apaixonei desde o primeiro instante,

e que, por várias, vezes, devido à minha ou à sua inocência, eu cai de joelhoes e implorei ao meu anjo da guarda pra te trazer pra mim,

Você nunca vai saber que eu passei todos os dias das minhas férias daquele ano indo à casa da tia só pra te ver, só pra isso,

e que em uma daquelas noites, eu simulei uma tosse pra que você ficasse fazendo cafuné até mais tarde,

Você nunca vai saber que eu voltei da praia mais cedo naquele ano só porque a saudade me obrigou,

Você nunca vai saber que aquela música que você cantava de natal na hora de dormir, nunca mais saiu da minha cabeça e sempre que a escuto me lembro da sua voz em meus ouvidos.

E por falar em música, você nunca vai saber que eu tive que ficar anos sem escutar Legião Urbana, pois a cada música, você se fazia tão presente que a dor da sua ausência era simplesmente insuportável e que, ao contrário da música, eu me perdi sim, me perdi em você e nunca, nunca mais me encontrei em ninguém.

Você nunca vai saber que todas as minhas cartas, eram cartas de amor, eram confissões de um amor maior disfarçado de preocupações.

Você nunca vai saber que meu coração se partiu naquele maldito carnaval e que o que eu mais queria era cheirar todos os meus tubos de lança-perfume só pra desmaiar deitada no seu colo.

Você nunca vai saber o quanto eu senti a sua falta quando fui pra Uberlândia e senti em dobro quando estava em Ribeirão, mais perto de você, mas muito, muito mais distante e que isso, exatamente isso, fez com que eu desistisse dos meus sonhos e me tornasse o que eu sou hoje.

E nunca vou te contar quantas vezes eu ficava na janelas dos meus apartamentos te procurando nas luzes da cidade ou em meus pensamentos e, mentalmente, rogava o seu nome aos quatro ventos pra ver se você me escutava ou sentia.

E sim, eu sempre acreditei que você realmente fosse a minha alma gêmea e que um sentimento assim nunca poderia ser sentindo sozinho, mesmo com todas as desilusões, nunca deixei de acreditar que um dia eu finalmente iria ter você pra mim. E tive, mas, infelizmente, eu até hoje não sei o que aconteceu, o que nos separou de novo e nem você sabe e nunca vamos saber.

Medo, imaturidade, falta de paciência, de tudo um pouco e algo mais que nem eu e nem você nunca ousamos nos dizer.

Mas, você nunca vai saber o quanto eu fui feliz naquele final de ano e daria muitas ou todas as minhas vidas só por mais alguns momentos desses.

E mesmo depois disso tudo, eu nunca fui sua amiga, eu nunca te esqueci e acho que nunca nem vou, na verdade, acho mesmo que eu não posso.

Você nunca vai saber que eu quis te confessar, te abraçar, te beijar, te deitar naquela cama comigo do hotel em Ribeirão que você foi me visitar.

Nunca vou te confessar o quanto fui fria quando escutava todas as sua declarações pra outras pessoas, todos os seu casos, fingindo que te entendia, que te compreendia, quando na verdade, eu estava era morta por dentro.

Você nunca vai saber o quanto me machucou quando veio pra cá e me deu aquele chá de espera, espera eterna.

Você nunca vai saber que por anos, minhas noites e meus dias se resumiam a chamar pelo seu nome, a pensar em você ou querer estar com você.

E que ainda hoje, eu te chamo inconscientemente de tempos em tempos nos meus sonhos.

Você nunca vai saber que eu nunca consegui te esquecer realmente, apesar de já ter me conformado que não será nessa vida.

Nunca vai saber que ainda vamos nos encontrar aqui e por toda a eternidade porque estamos nos planos do destino, e quem sabe um dia, tanto eu quanto você, saberemos de tudo isso.

_____________________________________________________________

 *Escrito por outro "eu", que não realmente eu, mas também eu.

 

 

Escrito por Asinim às 00h50
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

08/10/2009


Nota de esclarecimento

Isso aqui é como se fosse um livro de histórias retalhadas, contos, crônicas, relatos de experiências misturadas a fantasias. Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência levemente proposital. E nem sempre eu sei o que é realidade ou ilusão, isso faz parte da minha loucura. O que eu escrevo é mais forte do que eu. E como a liberdade de expressão nos foi relegada às custas de protestos, revoluções, torturas e até mortes, não ouso apagar nenhum comentário, ainda que sejam maldosos, despeitados, ofensivos ou provocativos. Quando fiz esse blog, decidi que seria um espaço aberto pra todos que apreciam o simples trocar de idéias, o tocar das almas que se expressam através de palavras às vezes poéticas. Nesse espaço, todos são bem vindos, sem exceção, pois acredito que até os ditos ignorantes, sejam no intelecto ou no sentimento, tem algo a dizer, ou melhor, a escrever.

Escrito por Asinim às 21h14
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

07/10/2009


Olha, agora eu vou dizer tudo

Me jogue pragas. Amaldiçõe meu nome, minhas gerações. Cante uma canção pra me fuder. Me mande pro inferno quantas vezes for. Diga que se arrepende de tudo. Me deseje infelicidade ou outras vidas.  Me chame de leviana. Me julgue culpada. Me transfira o encargo da sua tristeza, do seu ódio. Me equipare ao seu mal. Deseje a vingança. Finja que me desdenha. Pense que sou ordinária. Me cobre um preço alto pelo seu desespero. Se coloque de vítima inocente. Jogue o seu egoísmo em mim, assim como fez com a sua felicidade. Vá à um terreiro fazer trabalho, feitiçaria, magia negra. Tente. Nada disso vai nos trazer de volta.

Ainda bem que você se esqueceu que um dia apenas um olhar e uma confissão quebrou um preconceito, virou minha cabeça e me fez títere do seu amor sádico.

Escrito por Asinim às 22h17
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

11/09/2009


Divagar

De vez em quando uma me toca algumas vezes pela madrugada e logo desliga.

Uma outra me sonha ou me escreve um texto em seu blog.

Ainda outra invade minhas projeções e me apaga a memória.

Alguma insiste em um vinho seco, já estou me acostumando.

A da eterna distância jura nenhuma intenção.

E entre os 30 e os 50 existe toda uma transamazônica de proibições e frustações.

Os melhores encontros são aqueles que nunca são marcados.

A que ainda me toca ficou do outro lado do muro.

A que me sonha e me escreve já desabrochou o suficiente pra longe de mim.

As projeções são sempre um chamativo pro despertar da subconsciência dos meus passos no passado.

Ainda prefiro um suave, mas gostei do demi-sec.

Já me acostumei a esquecer tudo o que foi pra longe.

Encontros marcados aos 30 e desmarcados, sem aviso prévio, aos 50.

E eu aqui, esperando até as 23h30 pra você finalmente chegar.

Escrito por Asinim às 23h16
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

12/06/2009


10 pras 10

A lua está escondida atrás da casa.

A lua me lembra bruxaria.

A lua está escondida atrás da casa.

A lua me lembra bruxaria.

A lua atrás da casa está escondida.

A lua bruxaria me lembra.

A casa me lembra atrás da lua.

A lua me lembra atrás da bruxa.

A lua me bruxa atrás da casa.

A casa me bruxa escondida atrás da lua.

A bruxa atrás da lua escondida atrás da casa.

A casa bruxaria me lembra.

A lua atrás da casa está escondida.

A lua escondida na bruxa.

(Fran, Mi & Natália)

Escrito por Asinim às 15h54
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

21/05/2009


Antes que seja tarde

Escalei montanhas de sensações.

Enfrentei paixões vulcânicas.

Mergulhei em oceanos de solidão.

Quase sucumbi a terremotos de perdição.

Caí, por vezes, em certas depressões de placas tectônicas.

Nadei por entre os maremotos da desilusão.

Corri de tornados de confusões.

Dancei a dança dos furacões.

Cantei o canto dos tufões.

Ventos velozes não alcansaram meus pensamentos.

Subi até a cordilheira da espera nunca alcansa.

Acampei em picos de neblinas nos meus caminhos.

Fiz da tempestade uma pequena garoa.

Os trovões que me ensurdeciam,

Me iluminaram após a cada raio partido.

E no meio dos caminhos sem volta,

Ondas gigantescas varreram os resquícios de um passado,

Cuspidos após a virada do século nas areias confusas do meu ego.

Pelos itinerantes percursos do meu ser,

Surge a foz de um estranho conhecido,

No final de um ano qualquer do século XXI. 

Surge por entre os labirintos de Creta,

Ruge por entre as florestas boreais,

Atravessa o ártico, passa pelos trópicos,

Resiste aos invernos rigorosos,

Aos infernos de Dante,

Mas sobrevive em mim.

Escrito por Asinim às 22h41
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

13/03/2009


Sentimento sem título

Beijei seu pescoço, suguei seu perfume e amarguei minha boca.

O tempo todo você falando as palavras que me perguntava.

Por dentro, o parabrisa do carro impedia-nos de ver o quanto a lua sorria.

E o vidro embaçava as nossas noites em claro que raramente passavam das 2 da madrugada.

Por fora, os faróis nos interrompendo a cada beijo doído.

E as dores das marcas pelo meu corpo sempre me acordavam no outro dia me fazendo esquecer o quanto tudo havia sido bom.

Pra não banalizar o tão esperado "eu te amo", às vezes uns meses, um ano, uma vida de esperas incertas.

Mil vezes enfim, seu cheiro, seu gosto, o momento que antecede a sua chegada, tudo o que não me deixa mais em paz.

 

 

 

Escrito por Asinim às 21h09
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

28/12/2008


The girl behind the backpack

Sorriso despreocupado, olhar compenetrado, virado pro mundo, atento pra si e pra tudo.

Suas discordâncias inesperadas, seus defeitos imperceptíveis, a leveza das suas certezas.

A claridade das suas mãos, inquietas, faiscaram num toque espalmado.

E essa sua mochila, enigmática, que carrega o mundo com ela, vem antes e às vezes depois de você.

Traz um pedaço dos seus momentos, dos seus amigos, das suas idéias dispersas, das suas saudades.

Quem sabe até de algum amor que se esconde lá dentro, que se torna invisível aos olhares e protegido dos ignorantes.

Calças curtas, cabelos trançados ou lisos, chapéu na cabeça, all star sem cadarço nos pés, mochila nas costas, disfarçam mas não escondem a magia que erradia lá de dentro.

 

 

 

 

Escrito por Asinim às 16h59
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

03/12/2008


Um silêncio que estarrecia e/ou a Involução da humanidade

Qual a nossa contribuição pro mundo? Quem realmente vive pra tornar esse lugar melhor? Como fazer isso ou pelo menos não piorar o que já está ruim? Essas questões giraram em minha mente naquela última uma hora e meia de cine clube*. O incômodo de pensar deixou um silêncio que engoliu a seco todas as porradas no estômago dos que estavam lá. Não haviam palavras, ou melhor, não havia como proferí-las. Eu vou usar aqui a palavra desumano em seu sentido contrário porque eu não sei se quero continuar sendo humano, quero ser um animal, um bixo, só pra ter um momento de alívio e de menos culpa por tudo aquilo que representamos na Terra.

Mas e se cada um fizesse sua parte, seja coletiva ou individualmente, como por exemplo, não comer carne? Ainda assim, usaria roupas ou um calçado de um país imperialista e neocolonizador. E se nos tornarmos menos consumistas? Consumir o que realemente é necessário para a nossa sobrevivência, não comprar produtos de países que matém trabalho escravo, colônias, intervenções militares etc? Ótimo! Só que a verdade é que ninguém sabe ao certo suas necessidades básicas pra sobreviver. Celulares são imprescindíveis para grande parte das pessoas, trabalho, diversão, falta do que fazer, sociabilidade, e então não compraria Made in China ou não usaria All Star, mas continuariam contribuindo para a emissão de radiação, uma comprovada causadora do câncer.

O sofrimento é algo controverso, se tornou um símbolo da dialética da sociedade contemporânea. A finalidade da ciência é tornar a vida das pessoas melhor, mais confortável, curar doenças, inventar vacinas, infinitos caminhos fantásticos que diminuem a dor nos seus mais amplos entendimentos. Mas tudo isso é feito às custas do sofrimento alheio, preferencialmente daqueles que julgamos destinados a nos servir, daqueles cuja existência é controlada para um "bem maior", maior pra uma minoria: servir a humanidade e tornar o mundo "melhor". Será que todas as vidas sacrificadas pelos experimentos científicos superaram as que foram salvas? Aqui vale ressaltar que a África é um laboratório a céu aberto. Quem já parou pra pensar que a maioria das doenças são causadas pelos humanos? Pelo seu egoísmo, pelo seu espírito dominador, pela sua selvageria. Ou será que ainda existem os que pensam que foi castigo de Deus? É desconsolante admitir que sim. Consciente ou inconscientemente, cada um de nós tem a sua parcela no extermínio indiscriminado da natureza e na degradação da humanidade.

A culpa é do capitalismo selvagem, esse mal desnecessário que assombra o mundo há séculos, que visa o lucro a todo custo e nos transforma em mercadoria. No comunismo a enconomia seria autosuficiente, cada um teria o seu pedaço de terra, se eliminariam as classes sociais, a propriedade privada dos meios de produção e o Estado passaria a ser o grande controlador dessa harmonia social. Não esqueçamos que o comunismo é um fim, mas pra se chegar até ele, precisa antes implantar o socialismo e, somente através da "temida ditadura do proletariado" se chegaria a esse fim, à sociedade perfeita. Mas será que a história já não nos provou aonde nos leva uma ditadura? E também tenho meus receios quanto à uma maior conscientização social, ambiental em uma possível sociedade comunista. Vejamos, aqueles que detém o poder são os mesmos que detém o acesso ao conhecimento, pois penso que conhecimento é monopólio e poder também. Os burgueses detém o poder na sociedade capitalista e os proletários, na sociedade comunista. Se numa sociedade comunista o Estado permitir que todos tenham acesso à informação, ao conhecimento, ele acabará sendo suplantado. O poder em si oprime, a relação de poder se dá entre um lado que é oprimido, porque não tem meios de se defender, e o que oprime, porque detém os meios pra isso, o poder, logo, toda forma de organização de Estado (não importa qual) será opressora. Mas como uma sociedade pode viver sem um Estado, sem um governo? Mais um reflexo do nosso atraso. Não temos condições ou estruturas pra nos autogovernarmos, necessitamos de ser governados. Nenhuma nação/Estado que pretende o comunismo permitiria o benefício do conhecimento a todos, pois dessa forma, estariam pondo em risco sua própria sobrevivência. E o que vale mais, a justiça social ou a liberdade? São dois lados da mesma moeda.

Todo o extremismo é simplista, pois leva em consideração apenas uma vertente, uma ou algumas das pontas, longínquas, da arquitetura existencial. São pensamentos ou atitudes unilaterais. Portanto, vários caminhos pra uma sociedade tão complexa. Uns não comem carne, outros não usam marcas de países imperialistas, uns não usam celulares, outros não fumam, alguns não consomem álcool, outros andam de bicicleta, muitos reciclam o lixo, alguns não usam amônia no cabelo, outros não usam agrotóxicos, tem gente que não assiste TV, consome o "essencial", sonham com o comunismo, acreditam em Deus, ajoelham e rezam fervorosamente, não usam detergente, não tomam banho em chuveiro elétrico, apagam a luz ao sair ...

E eu aqui pensando nesse silêncio que calou a todos naquele momento, nessa involução que me revolta. A humanidade precisa mesmo silenciar, precisa calar, precisa parar, precisa repensar na sua existência nociva. É incômodo e doloroso admitir que não somos mais evoluídos do que nenhuma outra espécie, que as nossas relações sociais não são mais importantes do que as de nenhum outro animal e nenhuma vida vale mais do que a outra. A harmonia do mundo só acontecerá quando realmente tomarmos consciência disso.

 

*Foi exibido um documentário - Terráqueos - nessa sessão.

Escrito por Asinim às 14h46
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

16/11/2008


Entre as flores

Numa sala escura, somente uma luz na frente reproduzindo toda a poesia que embalsamaria aquele ambiente algumas horas depois. De um lado um cheiro de mistério conhecido, algo que preciso decifrar, me inebriava o ar toda vez que o perfume dos seus cabelos transcendia os limites entre você e eu. Toques arredios, mãos descontroladas procurando algo no ar, olhares estáticos na luz branca à frente, mas atentos a tudo o que se passava ao redor. Há coisas que quando não são devidamente ditas se fazem entender o contrário. Essa é a sensação que tenho a cada 15 dias. Porém, do outro, um doce cheiro mais ou menos velho conhecido, resolvido e transformado em confiança. É sempre melhor preservar no raso do que tentar aprofundar e certamente se afogar.

Os olhares falando a todo momento nas horas que se seguiram, os gestos transmitindo aquilo que não precisava ser dito, gritos de despertar. Luta contra a própria existência pra sufocar a aberração do sentimento. Fuga descontrolada e inútil, o passado nos fareja como um cão sarnento e nos joga na cara a sujeira varrida pra debaixo do tapete. E então é mais fácil encarar a inconsequência do que lhe dar com aquilo que vai além da compreensão dos mortais. 

E num instante o perfume das flores tinham tomado conta de toda a sala, de um lado, do outro, perfumes diferentes, sensações diferentes, mas a mesma certeza, eu estava entre elas.

Escrito por Asinim às 23h30
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

05/11/2008


Hoje será sempre domingo e o amanhã também

E eu que pensei que me livrando de todo aquele entulho e coisas desnecessárias me livraria junto da sua lembrança. Mesmo escondendo seus vestígios pela casa ou fingindo que tudo era como há 10 anos atrás, não me lembro mais, nem isso me apagava quando eu abria o portão de madrugada pra guardar o carro. A facilidade em que tudo se transformou hoje me tortura mais do que as vezes em que eu me aborrecia com a clausura e as limitações da sua presença. Às vezes penso que foi fraqueza, em outras, simplesmente justifico como uma proteção ou prevenção necessária. De qualquer forma, parece que não importa mais o correr dos dias, aquele dia nunca vai passar, nunca vai terminar e todos os outros que ainda virão, serão sempre Domingo de um dia de finados, de uma tarde sem sol.

O pior de tudo é ver no olhar dela a sua falta, eu a obriguei a fazer essa escolha, eu a deixei sem escolhas. Existem momentos na vida da gente em que não importa as atitudes que tomamos,  elas sempre serão difíceis e o caminho reverso não tem volta. Em cada gesto, em cada palavra não dita, ela me dizia: Você também sentirá falta. E eu nem tive coragem de ver quando realmente o pegaram pra sempre, porque eu sabia que dessa vez não seria como das outras, era pra sempre mesmo. Nenhum sonho mais pre previria a sua volta.

Assumir a incumbência dos outros e ter a coragem que ninguém mais tinha te torna eternamente responsável pelo sofrimento que ronda os cantos de uma casa. Mesmo que ninguém diga nada, o silêncio grita o tempo todo te acusando da sua inconsequência. E eu não estou preparada pra enfrentar o olhar fatigado dela toda vez que uma porta se abrir ou que a capanhia tocar acompanhadas do nada que se segue.

Existem coisas que se tornam tão partes da nossa vida que quando elas partem, levam junto um pedaço insusbstituível de nós mesmos. E daqui em diante parece ser assim, parte de mim eternamente ausente, outra parte sendo remoída por uma enorme bolandeira de engenho e ainda uma outra imóvel, intacta, fria, desconhecida. Como as badaladas do sino da igreja que ouço ao longe da janela do meu quarto anunciando o avanço das horas, enquanto que aqui dentro, o tempo parece entrar em ressaca, numa regressão impaciente na tentativa de sugar toda a dor ao redor pra dentro de mim.

Está feito. Fui eu e nunca seria mais ninguém. A dor deveria ser só minha e não de mais ninguém.

Escrito por Asinim às 00h12
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

Perfil

Meu perfil
BRASIL, Sudeste, GUAIRA, Mulher, Mais de 65 anos

Histórico