Você nunca vai saber que eu entrei naquele banheiro da boate de propósito,
que eu me fingi de bêbada e te abracei jurando amizade eterna com segundas intenções,
Você nunca vai saber que, bem no fundo, eu nunca fui tua amiga de verdade, pois eu me apaixonei desde o primeiro instante,
e que, por várias, vezes, devido à minha ou à sua inocência, eu cai de joelhoes e implorei ao meu anjo da guarda pra te trazer pra mim,
Você nunca vai saber que eu passei todos os dias das minhas férias daquele ano indo à casa da tia só pra te ver, só pra isso,
e que em uma daquelas noites, eu simulei uma tosse pra que você ficasse fazendo cafuné até mais tarde,
Você nunca vai saber que eu voltei da praia mais cedo naquele ano só porque a saudade me obrigou,
Você nunca vai saber que aquela música que você cantava de natal na hora de dormir, nunca mais saiu da minha cabeça e sempre que a escuto me lembro da sua voz em meus ouvidos.
E por falar em música, você nunca vai saber que eu tive que ficar anos sem escutar Legião Urbana, pois a cada música, você se fazia tão presente que a dor da sua ausência era simplesmente insuportável e que, ao contrário da música, eu me perdi sim, me perdi em você e nunca, nunca mais me encontrei em ninguém.
Você nunca vai saber que todas as minhas cartas, eram cartas de amor, eram confissões de um amor maior disfarçado de preocupações.
Você nunca vai saber que meu coração se partiu naquele maldito carnaval e que o que eu mais queria era cheirar todos os meus tubos de lança-perfume só pra desmaiar deitada no seu colo.
Você nunca vai saber o quanto eu senti a sua falta quando fui pra Uberlândia e senti em dobro quando estava em Ribeirão, mais perto de você, mas muito, muito mais distante e que isso, exatamente isso, fez com que eu desistisse dos meus sonhos e me tornasse o que eu sou hoje.
E nunca vou te contar quantas vezes eu ficava na janelas dos meus apartamentos te procurando nas luzes da cidade ou em meus pensamentos e, mentalmente, rogava o seu nome aos quatro ventos pra ver se você me escutava ou sentia.
E sim, eu sempre acreditei que você realmente fosse a minha alma gêmea e que um sentimento assim nunca poderia ser sentindo sozinho, mesmo com todas as desilusões, nunca deixei de acreditar que um dia eu finalmente iria ter você pra mim. E tive, mas, infelizmente, eu até hoje não sei o que aconteceu, o que nos separou de novo e nem você sabe e nunca vamos saber.
Medo, imaturidade, falta de paciência, de tudo um pouco e algo mais que nem eu e nem você nunca ousamos nos dizer.
Mas, você nunca vai saber o quanto eu fui feliz naquele final de ano e daria muitas ou todas as minhas vidas só por mais alguns momentos desses.
E mesmo depois disso tudo, eu nunca fui sua amiga, eu nunca te esqueci e acho que nunca nem vou, na verdade, acho mesmo que eu não posso.
Você nunca vai saber que eu quis te confessar, te abraçar, te beijar, te deitar naquela cama comigo do hotel em Ribeirão que você foi me visitar.
Nunca vou te confessar o quanto fui fria quando escutava todas as sua declarações pra outras pessoas, todos os seu casos, fingindo que te entendia, que te compreendia, quando na verdade, eu estava era morta por dentro.
Você nunca vai saber o quanto me machucou quando veio pra cá e me deu aquele chá de espera, espera eterna.
Você nunca vai saber que por anos, minhas noites e meus dias se resumiam a chamar pelo seu nome, a pensar em você ou querer estar com você.
E que ainda hoje, eu te chamo inconscientemente de tempos em tempos nos meus sonhos.
Você nunca vai saber que eu nunca consegui te esquecer realmente, apesar de já ter me conformado que não será nessa vida.
Nunca vai saber que ainda vamos nos encontrar aqui e por toda a eternidade porque estamos nos planos do destino, e quem sabe um dia, tanto eu quanto você, saberemos de tudo isso.
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*Escrito por outro "eu", que não realmente eu, mas também eu.